EXPEDIENTE:
PROJETO
Depto. de Marketing FFC
REPÓRTER
Paola Antunes
REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO
Flavio Pontes
WEB DESIGN
Novo Traço Comunicação
Ídolos
O Fluminense sempre reuniu estrelas do esporte nacional. Jogadores que ajudaram a traçar uma história inesquecível, cheia de arte, amor e raça. Desde o início de sua trajetória, o Tricolor teve atletas que respeitaram e honraram suas cores. Através dos tempos em suas equipes fortificaram ídolos inesquecíveis, como João Coelho Netto (Preguinho), Marcos Carneiro de Mendonça, Batatais, Romeu, Tim, Hércules, Ademir Menezes, Castilho, Didi, Telê, Gerson, Rivelino, Paulo César Caju, Edinho, Carlos Alberto Torres, Delei, Washington, Assis, Romerito, Waldo, Branco, Ricardo Gomes e Thiago Silva, entre outros. O Flu se caracteriza, sobretudo, por sua força como clube e sua tradição. Alinhemos assim alguns dos esportistas que construíram a trajetória tricolor repleta de vitórias e emoções.
Henry Welfare - Inglês de Liverpool, o habilidoso atacante foi o artilheiro do primeiro tricampeonato, com 56 gols. Jogou pelo clube de 1913 a 1924 e voltou ao Fluminense em 1952, apenas para participar da festa do cinquentenário do clube que seus gols ajudaram a tornar uma potência no futebol. Só assim se animaria a deixar a tranquila Angra dos Reis, onde fincara raízes depois de abandonar as coisas do esporte. Naquele julho, sempre cercado e reverenciado por vários ex-companheiros do épico tricampeonato 1917/18/19, o gigante ruivo-grisalho nem parecia ser – e continua sendo até hoje – o artilheiro com a maior média de gols no Fluminense: 163 gols em 166 jogos!
Oswaldo Gomes - Recordista absoluto em conquistas de Campeonatos Cariocas com 8 títulos entre 1906 e 1919. Titular absoluto em 12 campeonatos disputados pelo Fluminense e um dos 2 titulares que se recusaram a abandonar o Fluminense para abrir o departamento de futebol do Flamengo. Exemplo de eficiência, dedicação e amor ao tricolor, foi eleito, em 1921, presidente da C.B.D, atual C.B.F.
Marcos Carneiro de Mendonça - Esse mineiro de Cataguases deu início, em 1914, à tradição tricolor de formar grandes goleiros. A tranqüilidade, o sentido de colocação e apurado reflexo o consagraram na posição, tendo disputado 127 partidas pelo Fluminense e sagrando-se tricampeão carioca em 1917/18/19. Com todos esses atributos, o caminho natural seria a seleção brasileira, sendo seu primeiro goleiro e até hoje o mais jovem que já a defendeu (19 anos). Com 1,87m de altura e maneira elegante de se vestir e de se portar, era bastante admirando pelas moças da sociedade carioca da época. Daí reza a lenda de ter sido cunhada a expressão torcedor: as donzelas que assistiam às partidas torciam as luvas ou os lenços para aplacar a ansiedade. Após exitosa carreira futebolística, Marcos dedicou-se à profissão de historiador sem, contudo, abandonar suas atividades no Clube, sendo inclusive seu presidente na época do bicampeonato de 1940/1941.
Preguinho - Jõao Coelho Netto, o Preguinho, foi um atleta completo. Competiu em oito modalidades pelo Fluminense: futebol, vôlei, basquete, pólo aquático, saltos ornamentais, natação, hóquei e atletismo. Preguinho entrou para a galeria de grandes ídolos tricolores, sendo o autor do primeiro gol brasileiro em uma Copa do Mundo, em jogo contra a Iugoslávia, no Mundial de 1930, realizado no Uruguai. Os 55 títulos e as 387 medalhas nas oito modalidades que praticava o tornaram não só um ídolo, mas um herói tricolor, sendo por isso laureado com o primeiro título de grande benemérito atleta. Após sua morte, em 1979, o Prego - como era chamado pelos íntimos – seguiu merecidamente reverenciado, com um busto na sede do clube e a concessão de seu nome ao ginásio do Fluminense.
Tim - Elba de Pádua Lima, paulista de Ribeirão Preto, chegou ao Fluminense para integrar um elenco que liderou o futebol carioca entre os anos de 1936 e 1943, sendo, nesse período, um dos destaques de uma equipe ganhadora de 5 títulos cariocas: um tricampeonato(1936/37/38) e um bicampeonato(1940/41). Famoso por sua habilidade na arte do drible, que desestabilizava os nervos e as estruturas das defesas adversárias, teve seu talento reconhecido e admirado por nossos rivais, os argentinos, que o apelidaram de “El Peón”. Após encerrar a carreira nos gramados, Tim tornou-se técnico. Excelente estrategista, levou o time do Fluminense à conquista do Campeonato Carioca de 1964, numa emocionante “melhor de três” contra o Bangu.
Romeu - Romeu Pellicciari foi, talvez, o jogador que transformou o meio campo no lugar aonde se pensa o jogo. Com toques sutis, que sempre buscavam os lados do campo, também costumava chegar à entrada da área para arremates de precisão cirúrgica; não sem antes jogar por terra os zagueiros adversários ao executar o famoso drible Passo de Ganso, hoje conhecido como pedalada.
Orlando – Esse pernambucano, ponta de lança hábil, veloz e excelente finalizador, não tinha porte físico privilegiado, o que era compensado com malícia, sutileza e inteligência, que o faziam livrar-se das mais inclementes defesas e, com isso, ganhar o apelido de “Pingo de ouro”, dado pelo locutor Oduvaldo Cozzi. Orlando de Azevedo Viana estreou com a camisa do Fluminense no ano de 1943, permanecendo no clube até 1955, após participar de 311 jogos e marcar 188 gols. Ao encerrar a carreira Orlando não afastou-se de sua paixão, tornando-se frequentador diário do clube onde “batia” um tênis com os inúmeros amigos que fez durante a vida voltada para o esporte e, em especial, para o Fluminense.
Ademir Menezes - Campeão pernambucano pelo Sport Club Recife sendo o artilheiro do campeonato de 1941, o então jovem craque conhecido como “Queixada”, devido ao queixo proeminente, rapidamente tornou-se sonho de consumo dos grandes clubes do Rio de Janeiro, entre eles o Fluminense, que o perdeu, por uma diferença no pagamento das luvas, para o Vasco, onde acabou se consagrando. Ademir foi o primeiro jogador profissional a exigir o pagamento de luvas na assinatura de contrato. No início do ano de 1946 o Fluminense contratou o técnico Gentil Cardoso que, de pronto, proferiu a célebre frase:" Dêem-me o Ademir que lhes darei o campeonato".O Fluminense não mediu esforços e o arrebatou de São Januário para integrar seu elenco durante o Campeonato Carioca que viria a ser o mais disputado de todos pois, apesar do sistema de pontos corridos, quatro times acabaram empatados: Fluminense, América, Botafogo e Flamengo, obrigando a uma disputa extra, logo chamada pela imprensa de Supercampeonato. Em uma disputa recheada de craques, da linhagem de Zizinho, Danilo Alvim, Heleno de Freitas e Jorginho, entre outros, Ademir impôs seu estilo de jogo versátil, que o permitia jogar bem em qualquer posição do ataque e celebrizou-se pela arrancada fulminante em direção à meta adversária, com o queixo à frente, como que cortando o vento. Entrava na área em alta velocidade e, com um chute seco e rasteiro, executava a meta adversária, determinando o surgimento do ponta de lança. Foi dessa forma que no jogo final Ademir Menezes irrompeu pela área do Botafogo e fulminou a meta alvinegra, dando ao Fluminense o título de 1946 e cumprindo a profética frase de Gentil Cardoso.
Telê - Este mineiro de Itabirito veio jogar no Fluminense, não por um projeto de vida, mas para a realização de um sonho, Telê Santana da Silva era tricolor desde sempre. Chegou para integrar a equipe de juvenis, base da seleção brasileira da categoria, onde seu futebol inteligente e objetivo logo despertou a atenção dos responsáveis pela equipe principal, da qual começou a fazer parte em 1951, com uma nova postura de jogo. O técnico Zezé Moreira viu no jogador de toques rápidos e grande mobilidade, Telê era incansável, a capacidade de compor o meio campo defensivo e chegar ao ataque para tabelar e concluir. Foi artilheiro no juvenil e o primeiro ponta que voltava para marcar. No ano de sua estréia no time principal, o destino reservou a Telê a façanha de ser o herói do título pois, atuando novamente como centroavante, foi autor dos dois gols que deram a vitória ao Fluminense no segundo jogo de uma acirrada disputa em melhor de três contra o Bangu. Mas não foram os gols que tornaram Telê um dos maiores ídolos do Fluminense, o que mais o identificava com a torcida pó de arroz era a dedicação, a movimentação constante a cada jogada, além de lucidez que deixava transpirar suor e seu amor ao tricolor. Mesmo nos momentos mais difíceis o torcedor sempre esperava algo do jogador de corpo franzino, que por isso foi chamado pela voz das arquibancadas de "Fio de Esperança”, em um concurso sugerido pelo dirigente tricolor Benício Ferreira Filho e promovido pelo Jornal dos Sports. Mas a vida de Telê não estaria ligada ao seu Fluminense só como jogador, pois aqui também começou vitoriosa carreira de técnico do juvenil, sendo campeão em 1968, No ano seguinte foi promovido a técnico do time principal, sendo campeão carioca numa final histórica contra o Flamengo e formando a base do time campeão do Torneio Gomes Pedrosa de 1970. Telê foi à vida, colecionou títulos, vitórias e se consagrou definitivamente em 1982, ao comandar a Seleção Brasileira que não ganhou a Copa o Mundo mas encantou o planeta com um futebol de altíssimo nível técnico. Onde estivesse, fosse em um clube ou na seleção, Telê deixava bem claro que ali estava por razões profissionais, mas que sua paixão era e sempre seria o Fluminense. O que fica patente é que a relação de Telê com o Tricolor transcende ao aspecto profissional e esportivo: trata-se de uma verdadeira história de amor.
Castilho - As qualidades técnicas do carioca Carlos Castilho eram incontestáveis, mas os adversários irados com as suas esplendorosas atuações atribuíam muito à sorte. Inveja, pois só o Fluminense tinha Castilho em sua equipe. Colocação, arrojo e segurança: foram esses atributos que o levaram a se tornar o maior ídolo da história do gol do Fluminense, tarefa nada fácil para quem vestiu a camisa de um clube que teve sua meta defendida, anteriormente, por Marcos Carneiro de Mendonça e Batatais. Além de sua excelência como jogador, Castilho, em plena era do profissionalismo, deu uma demonstração de amor ao Tricolor ao permitir a amputação de um dedo, constantemente lesionado, e desta forma voltar aos gramados com maior brevidade. Sorte? Não. Foram as qualidades técnicas e a paixão pelo Tricolor que o fizeram, além de ídolo um santo, o São Castilho.
Didi - Natural de Campos, negro esguio, com pescoço à Modigliani, autor do primeiro gol do Maracanã, Waldir Pereira, certamente mudou a história do futebol mundial. Diferente dos grandes meias da época, que abasteciam seus respectivos ataques com passes em linha reta, à média e curta distâncias, Didi, com a invenção de uma balística indecifrável, conseguiu vincular o passe longo à essência do jogo. Jogador que tratava a bola com tal carinho e desvelo — a ela se referindo como “a criança” — encantou a todos, no mundial de 1958 (o primeiro ganho pelo Brasil), pela elegância de seu futebol, recebendo o prêmio de melhor jogador da Copa, passando a ser conhecido mundialmente como Mr. Football.. Didi não via o jogo e sim antevia o jogo, e com essa característica transformou-se em um renomado treinador, que teve sob sua liderança jogadores como Rivelino, Paulo Cesar e Mario Sergio. Chamados por ele de “meninos”, esses craques integraram a inesquecível máquina tricolor. “Didi jogador de chute oblíquo e dissimulado como o olhar da Capitu”.
Valdo - Waldo Machado da Silva, natural de Niterói, tornou-se sinônimo de gol para a torcida tricolor. Fazia gols de canela, com chutões desprovidos de dribles ou firulas. Sua genialidade residia justamente na capacidade de não perdê-los. Sua média no clube foi quase de um gol por partida. É o maior artilheiro do Fluminense, com 314 gols em 403 jogos. Atuou pelo clube de 1954 a 1961.
Denílson – O invejável porte físico - forte e alto – poderia ter levado Denílson Custódio Machado a sonhar com a posição de centroavante. Seu futebol, no entanto, tinha características bem mais defensivas e a capacidade de desarmar o adversário fez com que Denílson se tornasse o primeiro verdadeiro cabeça-de-área do futebol brasileiro. Ainda jovem bateu na porta do Fluminense e, decidido, foi pedir uma oportunidade diretamente ao técnico Zezé Moreira. O treinador gostou de sua impetuosidade e o deixou treinar entre os juvenis, onde ficou até 1964, quando Tim o lançou no time profissional, que acabou conquistando naquele mesmo ano o título carioca. Ganhou de Nélson Rodrigues o apelido de “Rei Zulu” e na proteção da área tricolor colecionou ainda os Campeonatos Estaduais de 1969/71/73 e a Taça de Prata, em 70. O bom futebol o levou à seleção brasileira e à disputa da Copa do Mundo de 66. Ao todo defendeu o Brasil em 9 partidas internacionais e marcou dois gols.
Samarone – Ao chegar ao Fluminense em 1965 o jovem santista Wilson Gomes não imaginava o quanto a torcida o reverenciaria nos anos seguintes e, muito menos, que seu amor pelo Fluminense duraria por toda a vida. Senhor do meio-de-campo, Samarone servia os companheiros com perfeição e ainda tinha na força de seu chute uma arma poderosa. O gol que deu o título estadual da segunda divisão à Portuguesa Santista foi sua porta de entrada nas Laranjeiras, aos 19 anos. O craque de cabelos louros e cacheados foi bicampeão carioca em 1969/70 e campeão da Taça de Prata em 1970. As pernas grossas do jogador conferiam potência aos chutes mas também lhe traziam desconforto ao vestir as meias de algodão amarradas por barbantes, que lhe apertavam e causavam dores na panturrilha. Mesmo usando um modelo especial não era raro ver Santana lhe aplicando massagens à beira do gramado. Samarone ficou no Fluminense até 1971. Hoje, engenheiro civil, segue acompanhando o time e torcendo como verdadeiro tricolor.
Lula - Não há um só tricolor que não abra um sorriso ao relembrar de Lula e sua velocidade pela ponta-esquerda do Fluminense no time que levantou os títulos do Campeonato Estadual de 1969/71/73, além da Taça de Prata, em 70. Mas o sorriso dos torcedores reflete, principalmente, a imagem do pernambucano Luís Ribeiro Pinto Neto empurrando para dentro do gol a bola que sobrou aos seus pés, após a dividida de Marco Antônio com o goleiro Ubirajara, aos 43 minutos do segundo tempo da final do Carioca de 1971, contra o Botafogo. Lula se transferiu para o Fluminense em 1965, mas foi seis anos mais tarde que levou a torcida ao completo delírio ao calar os alvinegros que já cantavam a conquista do título carioca, que lhes cabia com o empate. Raça e técnica fizeram com que Lula deixasse saudades quando se transferiu para o Internacional após ter disputado 375 com a camisa tricolor.
Félix – Por 10 anos Félix Mielli Venerando guardou o gol tricolor. Corria o ano de 1967 quando deixou a Portuguesa de Desportos e chegou às Laranjeiras para já entrar em campo no dia seguinte e garantir um empate com o Botafogo em 0 x 0. O camisa 1 só deixou a posição para encerrar a carreira, em 1973, depois de colecionar uma série de títulos, como a Taça de Prata, em 1970, e cinco Campeonatos Estaduais (1969/71/73/75 e 76). As boas atuações pelo Fluminense o levaram à seleção brasileira. Convocado por João Saldanha e mantido por Zagalo “Gato Félix”, como ficou conhecido, conquistou o tricampeonato mundial no México em 1970 e calou alguns críticos que colocavam em dúvida seu futebol.
Marco Antônio – As passadas de Marco Antônio Feliciano pelo lado esquerdo dos gramados eram inconfundíveis. O jogador que passou a vestir a camisa tricolor em 1969 tinha um corpo esguio, postura ereta e combinava sua elegância com um belo futebol. Não há torcedor que não lembre de suas atuações pelo Fluminense, tão boas que, um ano após chegar às Laranjeiras, já vestia a camisa da seleção brasileira, pela qual foi tricampeão mundial em 1970 e também disputou a Copa do Mundo de 1974. Pelo Flu ganhou os títulos estaduais de 1969/71/73/75, a Taça GB em 69/71 e a Taça de Prata em 1970. Um dos lances protagonizados por Marco Antônio e gravados na memória dos tricolores foi o gol da conquista do título carioca de 1971, aos 43 minutos do segundo tempo, contra o Botafogo, no Maracanã lotado. O Fluminense era só pressão, tanto que conseguiu quatro escanteios consecutivos. Cafuringa cobrou curtinho para Oliveira, que cruzou para dentro da área e Marco Antônio dividiu de cabeça com o goleiro Ubirajara. Lula pegou a sobra e mandou para o gol. Os adversários reclamaram de falta, mas foi Marco Antônio e os companheiros que deram a volta olímpica com a taça nas mãos. O lateral jogou pelo Fluminense até 1976, marcou 29 gols em 330 jogos.
Carlos Alberto – A trajetória do capitão do tricampeonato mundial do Brasil, no México, em 1970, começou no Fluminense. Um dos maiores jogadores da lateral-direita em todo o mundo Carlos Alberto Torres foi revelado pelo Tricolor, onde começou a jogar em 1960 e conquistou o primeiro título em 1964. Depois de quatro anos Carlos Alberto deixou o Flu e voltou em 1975, para integrar a Máquina Tricolor e levantar o bicampenato estadual em 75/76. De personalidade forte, um comandante dentro do campo, o “Capita”, como passou a ser chamado depois do Mundial de 70, não se contentava em guardar a lateral e compor a linha de defesa. Suas subidas ao ataque não raramente resultavam em gols, como aquele que fechou a goleada em cima da Itália na final no México. O Fluminense foi o primeiro e o último clube pelo qual Carlos Alberto Torres jogou no Brasil.
Flávio - O centroavante que deu ao Fluminense logo no seu primeiro ano de clube o título de campeão carioca em 1969, marcando o último gol da vitória tricolor por 3 x 2, sobre o Flamengo, foi um daqueles jogadores que parecem ter nascido com uma única finalidade: guardar a bola no fundo da rede adversária. Excelente cabeceador, Flávio Almeida da Fonseca chutava com as duas pernas, usava muito bem o corpo e, se era contido na movimentação, apresentava um incrível índice de aproveitamento de bolas na área convertidas em gol. Em 1970 o artilheiro do Campeonato Estadual de 1969, com 15 gols, era o homem-gol do Fluminense na conquista da Taça de Prata, assim como no bicampeonato carioca de 71. No ano seguinte Flávio deixou as Laranjeiras com um total de 92 gols marcados em 115 partidas. Um daqueles jogadores que deixaram saudades na memória tricolor.
Gerson - O Canhotinha de Ouro armador na linha direta de Didi, de quem herdou os dons de organizar o jogo e a arte do passe. Com ele em campo o time ganhava um estrategista dentro das quatro linhas, pois rapidamente lia o jogo e orientava a colocação dos companheiros, sempre gesticulando e falando muito, ganhando com isso o apelido de papagaio, dados pelos companheiros de time e da seleção. Gerson de Oliveira Nunes detinha uma liderança natural, mesmo que não ostentasse a faixa de capitão. Jogador vitorioso, encerrou a carreira em 1973 vestindo a camisa do Fluminense, o seu Clube de coração, tendo sido, inclusive, campeão carioca.
Manfrini – A habilidade, o raciocínio veloz, o chute de meia distância tanto com a perna direita quanto com a esquerda e os muitos gols marcados tornaram Antônio Monfrini Neto um dos grandes ídolos tricolores. O sobrenome perdeu a letra O e ganhou um A e o nome Manfrini entrou para o hall dos artilheiro logo no ano de sua chegada ao Fluminense, em 1973. Além de conquistar o título de campeão carioca, o jogador conquistou coração da torcida. Apontado como sucessor de Samarone, Manfrini foi um meia que se firmou como centroavante e fez uma dupla inesquecível com Rivelino, levantando mais um título estadual em 1975 e outra vez terminando a competição como maior goleador. A passagem de Manfrini pelo Fluminense não foi longa. Em 1975 foi envolvido num troca-troca com o Botafogo, após ter disputado 157 jogos e marcado 61 gols
Paulo César – O nome de batismo é Paulo César Lima, mas o menino abusado e de futebol vistoso ficou mesmo conhecido como Paulo César Caju. Dono de um toque de bola refinado, o jogador fazia o que queria pela esquerda dos gramados e já aos 21 anos integrava a seleção brasileira que conquistaria o tricampeonato mundial em 1970. Paulo César chegou ao Fluminense como um grande jogador e integrou a quase imbatível Máquina conquistando o bicampeonato carioca de 75/76. Foi ele, inclusive, que no último minuto da prorrogação contra o Vasco, na decisão do título de 76, cobrou uma falta jogando a bola na área para que Gil escorasse e Doval tocasse de cabeça para decretar a vitória e o título. Com suas roupas vistosas, frases impactantes e postura desafiadora para os costumes vigentes, Paulo César entrou de vez a história do Fluminense ao ser eternizado na música que a torcida cantava a cada jogo: “É covardia, é covardia, com Rivelino, Paulo César e cia...”
Pintinho – Por 8 anos Carlos Alberto Gomes vestiu a camisa tricolor. De 1972 a 1979, Pintinho, como ficou conhecido, desfilou elegância pelo meio-de-campo. Sua classe e o fino trato com a bola o fizeram craque. Antes mesmo de se tornar titular o menino magro e esguio já fazia a torcida vibrar quando o técnico Duque o chamava a cada jogo, já no segundo tempo, para entrar em campo, ao lado de outro jovem tricolor, Kleber. Cada vez mais a técnica de seu futebol se sobressaía e não foi difícil conquistar a vaga de titular. Pintinho integrava uma geração formada nas Laranjeiras e, além de um futebol de encher os olhos, conseguiu empatia grande com a torcida. Conquistou o título carioca em 1973 e repetiu a dose em 75, integrando a Máquina. Na fatídica semifinal do Brasileiro, contra o Corinthians, em 84, quando o Flu perdeu nos pênaltis, foi o autor do gol tricolor no tempo normal de jogo. Em 1979 foi convocado para a Seleção Brasileira para disputar a Copa América. Em 80 se transferiu para o futebol espanhol.
Edinho – A disposição eterna de vencer, a força física, a muralha que erguia na área, a impulsão que lhe garantia ganhar todas as bolas na cabeça, as avançadas velozes ao ataque e as cobranças de falta fizeram com que Édno Nazareth Filho escrevesse eu nome na história do Fluminense, onde começou a jogar futebl ainda menino, aos 13 anos. Aos 18 anos o jovem talento já estava entre os profissionais e foi um dos integrantes da Máquina Tricolor em 75/76. Em 1980 conquistou mais um título carioca, sobre o Vasco, com um detalhe: foi ele o autor do gol, ao converter uma falta. O futebol de Edinho fez com que disputasse três Copas do Mundo (1978/82 e 86). O zagueiro dispuatou 358 jogos, marcou 34 gols e voltou ao Fluminense como treinador, vencendo a Taça Guanabara em 1991 e 93.
Delei - Natural de Volta Redonda, Vanderlei Alves de Oliveira começou nas categorias de base do Fluminense e foi promovido a titular em 1980. Neste mesmo ano o meia ajudou a equipe a conquistar o título carioca sobre o Vasco. Foi ainda o principal armador de jogadas do meio campo tricolor na conquista do tricampeonato carioca de 1983/84/85, além de maestro do time campeão brasileiro de 84. Além da classe inconteste, Delei destacava-se pelo espírito de equipe, que o fazia jogar sempre para o time. Saiam de seus pés os melhores passes para os atacantes e pontas tricolores. Em 1983, por exemplo, na decisão do Campeonato Carioca contra o Flamengo, foi dele o magistral, irretocável lançamento que encontrou Assis livre na área para balançar as redes e garantir o título tricolor. O craque tem ainda na bagagem três títulos internacionais: Torneio de Seul (1984), Torneio de Paris (1987) e Copa Kirim (1987)
Rivelino – Roberto Rivelino chegou ao Flu já consagrado, afinal era tricampeão mundial, detinha a unanimidade da crítica e a admiração de todas as torcidas. Por isso, era conhecido como o Reizinho do Parque São Jorge, sede do Corinthians, clube pelo qual jogava. O extraordinário jogador, de drible mortal, perna esquerda absolutamente precisa para um passe longo e chute devastador, jogava um futebol de grande beleza, mas com um quê de tristeza, pois o Reizinho se sentina incompreendido pelo seu povo. O Fluminense foi buscá-lo em 1975 e ele chegou ao Rio de Janeiro derrubando o que seria uma verdade absoluta, a de que no Carnaval a cidade só tem olhos para a folia. Ledo engano, Riva estreou a camisa tricolor em um Maracanã lotado por 100 mil torcedores, em pleno sábado de carnaval, com uma atuação exuberante. Marcou 3 gols, sendo um de cabeça, até então inédito em seu vasto repertorio. Os tricolores deixaram de lado a emoção de ver porta-bandeiras e passistas e optaram pelo privilégio de assistir Riva com a camisa do Flu, desfilar seu futebol maravilhoso como sempre, deixando para trás o título de Reizinho para adotar o de Curió das Laranjeiras. Rivelino reinou em um time que passou para a história, foi bicampeão estadual (75/76) e chegou a duas semifinais do Campeonato Brasileiro, jogando embalado pelo canto mavioso de seu inquestionável futebol.
Branco - Cláudio Ibraim Vaz Leal, gaúcho de Bagé, chegou ao Fluminense com 19 anos. Formou com o ponta-esquerda Tato uma das mais entrosadas duplas da história do clube. Extremamente técnico, vigoroso e com muita personalidade, tinha como sua maior arma o chute forte e com efeito nas cobranças de falta a longa distância. Trouxe para o clube o tricampeonato estadual de 83/84/85 e o Campeonato Brasileiro de 84. Em 1986 deixou o Fluminense para atuar na Europa. Em 1994, após disputar duas Copas do Mundo vestindo a camisa da Seleção Brasileira (1986/90), voltou às Laranjeiras e foi disputar sua terceira Copa, nos Estados Unidos, para fazer história ao cobrar espetacularmente uma falta na semifinal, contra a Holanda, e dar a vitória ao Brasil por 3 a 2. Após a conquista do tetracampeonato Mundial mais uma vez deixou o Tricolor, para voltar em 1998, e encerrar a carreira no Fluminense.
Assis - Benedito de Assis da Silva, paulista, jogou no Fluminense de 1983 a 1987. Conhecido como Carrasco, Assis formou com Washington o Casal 20. A dupla famosa no futebol do Rio de Janeiro levou o clube ao título do Campeonato Estadual de 1983. No ano seguinte, ao lado de outros craques, comandou o Fluminense na conquista de mais um Estadual e do Brasileiro de 1984. A série de conquistas culminou com o tricampeonato em 85. Bastava tocar na bola para que Assis revelasse sua técnica apurada, futebol simples, de drible fácil e seu incrível dom para o jogo aéreo. Durante muitos anos uma canção ecoaria no Maracanã lotado em dias de Fla-Flu: "Recordar é viver, Assis acabou com você".

Washington – O baiano Washington César Santos, de 1,88 de altura e grande impulsão formou, ao lado de Assis, uma das mais famosas duplas de ataque dos anos 80. Washington começou no Galícia Esporte Clube, de Salvador, passou por Corinthians e Operário do Mato Grosso do Sul, até que chegou ao Internacional de Porto Alegre. Lá foi bem, mas ganhou destaque quando, junto ao seu fiel parceiro de ataque Assis, se transferiu para o Atlético Paranaense. Em 1983, o já famoso casal 20 (apelido em alusão a um seriado de TV da época) chegou ao Flu e aqui conquistou nada mais nada menos que o tricampeonato carioca 1983/84/85, além do inesquecível título de Campeão Brasileiro de 1984. O apurado faro de gol do atacante proporcionou à torcida tricolor golaços inesquecíveis, como um marcado de bicicleta, contra o Flamengo, no Maracanã. O jogador vestiu a camisa da seleção brasileira em cinco jogos e marcou dois gols.
Romerito – O paraguaio Júlio César Romero Isfran fez história com a camisa 7 do Fluminense. Considerado a maior jogador de seu país, atuava no Cosmos, de Nova Iorque, ao lado de Pelé, quando foi contratado pelo Fluminense, em 1984, por 300 mil dólares. Ao mesmo tempo um jogador técnico, versátil e raçudo, Romerito conquistou os tricolores ao exibir um futebol de gala. Romerito levantou o Campeonato Estadual de 84 e foi o autor do gol que deu ao clube o Campeonato Brasileiro nesse mesmo ano, na primeira das duas partidas contra o Vasco. A torcida o reverenciava e rapidamente o elevou a “Dom Romero”. Em 85 o Fluminense de Romerito sagrou-se tricampeão estadual. O paraguaio ficou nas Laranjeiras até 88, disputou 211 jogos, tendo marcado 59 gols. E, se os tricolores jamais esqueceram do ídolo, Romerito nunca conseguiu se desligar do clube. Até hoje Dom Romero visita as Laranjeiras e seu coração bate no compasso do hino tricolor.
Ricardo Gomes – No futebol brasileiro Ricardo Gomes vestiu uma só camisa: a do Fluminense. Zagueiro de porte, Ricardo Raymundo Gomes foi uma das grandes revelações das divisões de base do clube. No início da década de 80 o carioca começou a escrever sua história na zaga tricolor e pouco depois, em 1983/84/85, conquistou o tricampeonato carioca e o Campeonato Brasileiro de 94. O futebol irretocável de Ricardo e sua atuação na defesa do Fluminense o levaram à seleção brasileira. De 1984 a 1990 Ricardo fez 52 jogos pela seleção mas uma fatalidade o deixou de fora da equipe que levantou o tetracampeonato para o Brasil. Um estiramento muscular no útlimo amistoso antes da estreia fez com que um dos melhores zagueiros do futebol brasileiro deixasse os gramados sem o título de campeão mundial. Para os tricolores, porém, Ricardo Gomes será sempre um grande campeão.
Renato Gaúcho – Renato Portaluppi chegou ao clube dividindo a opinião da torcida em relação à validade da sua contratação, afinal era um jogador polêmico e que alguns diziam em fim de carreira. No entanto, em menos de seis meses já era uma unanimidade entre os tricolores pois, com atuações memoráveis e gols inesquecíveis, levou, em 1995, o Fluminense ao título de Campeão Carioca, afastado das Laranjeiras há nove anos. Naquele antológico Fla-Flu, fez um gol de barriga aos 44 minutos do segundo tempo, gravado até hoje na memória de todo tricolor. A figura deste gaúcho com alma de carioca, com os meiões arriados e faixa na testa, levando pânico às defesas adversárias, será sempre motivo de boas lembranças.
Thiago Silva - Zagueiro que se destaca pela técnica apurada, velocidade, antecipação para uma cobertura perfeita, absoluta noção de colocação, excelente impulsão, além de um forte chute com a perna direita. Com todos esses atributos esse jovem zagueiro, campeão da Copa Brasil de 2007, embora com curta passagem pelo Fluminense, teve com a torcida tricolor uma pronta empatia. Nas partidas, a galera em uníssono gritava seu nome e tinha a resposta na excelência de seu futebol. Muitos torcedores passaram a usar uma munhequeira no pulso esquerdo, sua marca registrada. Thiago teve com o Flu uma identificação tão imediata e espontânea que a camisa tricolor que o vestia parecia envolvê-lo desde sempre, no ventre materno. O “Monstro”, como era chamado pelos companheiros, entra para o rol dos ídolos tricolores na linha de Pinheiro, Edinho e Ricardo Gomes.
Atlético-GO x Fluminense
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11/09/2010
Serra Dourada - 18h30
Campeonato Brasileiro 2010
| 1º | Fluminense | 41 |
| 2º | Corinthians | 38 |
| 3º | Cruzeiro | 34 |
| 4º | Santos | 31 |
| 5º | Internacional - RS | 31 |
| 6º | Botafogo | 31 |
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